O livro As Vítimas-Algozes, de Joaquim Manuel de Macedo, foi escrito na segunda metade do século XIX, em 1869, 19 anos antes da Abolição da Escravidão. O livro pertence ao Romantismo, que foi uma escola literária de grande importância para a história de nossa literatura.
A obra não agradou o público oitocentista e recebeu várias críticas publicadas na imprensa, sendo considerado por Ubiratan Machado como “o livro mais atacado pela crítica durante o período romântico”.
As Vítimas-Algozes é, ao seu modo, um romance abolicionista. Não daquele abolicionismo que encontramos nas obras dos poetas acima relacionados. Como explica Macedo, na nota “Aos Nossos Leitores”, não lhe interessou, nas “educativas” e “moralizantes” histórias que entregava aos consumidores de sua vasta obra, pintar “o quadro do mal que o senhor, ainda sem querer, faz ao escravo”, mas, sim, o “quadro do mal que o escravo faz de assento propósito ou às vezes irrefletidamente ao senhor”. Dito de maneira mais direta, o romance antiescravista de Macedo quer convencer os seus leitores de que é preciso libertar os escravos não por razões humanitárias, mas porque os cativos, sempre imiscuídos nas casas-grandes e sobrados, introduzem a corrupção física e moral no seio das famílias brancas.
Na obra o autor expressa a idéia de que a escravidão faz vítimas algozes e deve ser gradualmente extinta, sem prejuízo para os grandes proprietários de terra. Num tom conservador e usando personagens como a escrava Lucinda, o autor defende a tese de que a escravidão cria vítimas oprimidas socialmente, mas com uma perversão lógica, imoral e com influência corruptora.
O tratamento entre patrão e escravo nos últimos anos do cativeiro, uma intimidade que beira o sado-masoquismo foi retratada por Joaquim Manuel de Macedo neste livro. Ele denuncia que, se o escravo é inegavelmente vítima de um regime desumano, a sua presença igualmente desagrega a sociedade branca no que ela teria de mais recomendável.
A obra é um retrato perfeito do Brasil pós-abolicionista.
Iniciamos a atividade com a conversão de slides para o Monitor Educacional.
Tutorial para conversão de slides
Leitura do livro Vitimas e Algozes
Pesquisa de imagens
Montagem das apresentações
Equipe II - MAM1
Este Blog foi criado pela Professora Colaboradora do NTE, com o auxilio das multiplicadoras para a divulgação das atividades de Tecnologia Educacional Neste Blog, você, professor/professora, encontrará todo o material, disponível, para o desenvolvimento das atividades e as informações necessárias para o seu desempenho. Seja bem vindo em nosso Blog. Deixe seus comentários e opiniões.
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domingo, 19 de setembro de 2010
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Autores do Romantismo
IREMOS INICIAR NOSSA ATIVIDADE:
O Romantismo foi o estilo literário que perdurou no Brasil desde 1836 até 1881 (ano da publicação de O Mulato e Memórias Póstumas de Brás Cubas). O primeiro poeta romântico brasileiro foi Gonçalves de Magalhães, que publicou Suspiros Poéticos e Saudades em 1836. Era marcado por grande subjetividade, idealização (da mulher e do amor) e sentimentalismo. Foi a primeira tentativa consciente de se produzir literatura verdadeiramente brasileira.
Gonçalves Dias
Orgulhoso de ter o sangue de índios, negros e brancos em seu corpo, Antônio Gonçalves Dias nasceu a 10 de agosto de 1823 no Maranhão e morreu a 3 de novembro de 1864. Gonçalves Dias foi um poeta romântico indianista e bacharel em Direito pela universidade de Coimbra. Sua poesia trouxe a admiração da crítica e do rei, que o nomeou para vários cargos públicos e lhe permitiu viver mais confortavelmente, tendo viajado pelo Norte do Brasil a serviço da corte. Também fez teatro. Recusado pela família de sua amada, casou-se com outra e, doente, viajou a Europa para se tratar. Quando o governo cortou o subsídio que lhe concedia em 1864, decidiu voltar ao Brasil. Na volta, morre no naufrágio do "Ville de Boulogne" por estar doente, já que foi abandonado de cama em estado deplorável enquanto todos os outros se salvaram. Alguns de seus poemas indianistas mais famosos são I-Juca Pirama e Os Timbiras.
"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá." Canção do Exílio
"Eu vi o brioso no largo terreiro,
Cantar prisioneiro
Seu canto de morte, que nunca esqueci:
Valente como era, chorou sem ter pejo;
Parece que o vejo,
Que o tenho nest'hora diante de mi." I-Juca Pirama
"Por onde quer que fordes de fugida
Vai o fero Itajuba perseguir-vos
Por água ou terra, ou campos, ou florestas;
Tremei!..." Os Timbiras
Álvares de Azevedo
Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu em 1831, um gênio precoce que já falava francês, inglês e latim aos 10 anos de idade. Estudava Direito e participava de altas orgias em reuniões com outros grandes escritores românticos como seu amigo Bernardo de Guimarães. Além do maior poeta da tendência Mal do Século no Brasil, Álvares de Azevedo também escreveu contos e uma peça de teatro (Macário). Quando entrou na faculdade de Direito teve um pressentimento que não completaria o curso ao ver dois estudantes do quinto ano morrerem na sua frente. A morte foi uma constante em sua obra, já que o irmão morreu prematuramente e ele sentia fortes dores no peito. De fato, morreu meses após completar o quarto ano, com prematuros 20 anos de idade, de um tumor na fossa ilíaca descoberto após um acidente de equitação. Dois anos depois sua obra romântica, dividida entre Ariel (o bem) e Caliban (o mal), passou a ser publicada. Foi o maior poeta brasileiro da tendência do Mal do Século. Seguem passagens do livro de contos (Caliban) Noite na Taverna, uma amostra da poesia Se eu morresse amanhã (composta dias antes do acidente) e do livro de poesias Lira dos Vinte Anos.
"Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!"
" Quando falo contigo, no meu peito
esquece-me esta dor que me consome:
Talvez corre o prazer nas fibras d'alma:
E eu ouso ainda murmurar teu nome!" Lira dos Vinte Anos
"Pois bem, dir-vos-ei uma história. Mas quanto a essa, podeis tremer a gosto, podeis suar a frio da fronte grossas bagas de terror. Não é um conto, é uma lembrança do passado." Noite na Taverna
"A mulher recuava... Recuava. O moço tomou-a nos braços, pregou os lábios nos dela... Ela deu um grito, e caiu-lhe das mãos. Era horrível de ver-se. O moço tomou o punhal, fechou os olhos, apertou-os no peito, e caiu sobre ela. Dois gemidos sufocaram-se no estrondo do baque de um corpo..." Noite na Taverna
"Mais claro que o dia. Se chamas o amor a troca de duas temperaturas, o aperto de dois sexos, a convulsão de dois peitos que arquejam, o beijo de duas bocas que tremem, de duas vidas que se fundem tenho amado muito e sempre! Se chamas o amor o sentimento casto e poro que faz cismar o pensativo, que faz chorar o amante na relva onde passou a beleza, que adivinha o perfume dela na brisa, que pergunta às aves, à manhã, à noite, às harmonias da música, que melodia é mais doce que sua voz, e ao seu coração, que formosura há mais divina que a dela-eu nunca amei. Ainda não achei uma mulher assim. Entre um charuto e uma chávena de café lembro-me às vezes de alguma forma divina, morena, branca, loira, de cabelos castanhos ou negros. Tenho-as visto que fazem empalidecer-e meu peito parece sufocar meus lábios se gelam, minha mão se esfria..." Macário
"Esse amor foi uma desgraça. Foi uma sina terrível. Ó meu pai! ó minha segunda mãe! ó meus anjos! meu céu! minhas campinas! É tão triste morrer!" Macário
Junqueira Freire
O monge beneditino Luís José Junqueira Freire (1832-1855) permaneceu enclausurado até 1854, atormentado pela falta de vocação e com uma sexualidade latente e reprimida. Seus poemas mostram um jovem angustiado, incapaz de seguir a vida religiosa e que vê na morte a única fuga (Evasão na Morte, característica típica da poesia Mal do Século).
"Eis a descrença e a crença,
Eis o absinto e a flor,
Eis o amor e o ódio,
Eis o prazer e a dor!"
Joaquim de Sousândrade
Joaquim de Sousa Andrade (1833-1902) era um republicano e abolicionista convicto e militante, que morou em NY e mais tarde foi professor. Morto, sua obra foi esquecida e só na década de 1960 foi resgatada. Usou inovações como a criação de neologismos e metáforas, valorizadas só mais tarde. Segue aqui uma citação deste que é um dos menos conhecidos dos poetas românticos brasileiros, apesar de segundo apenas a Castro Alves na poesia social.
"Desde a noite funérea de tristeza
Heleura está doente. Ara, morrendo,
Nunca perdera as cores do semblante,
Um formoso defunto: "Vivo! Vivo!"
Gritava a filha p'ra que não o levassem:
"Vivo! Vivo!" Prenúncios maus, diziam."
Casimiro de Abreu
Comerciante, Casimiro José Marques de Abreu nasceu em 4 de Janeiro de 1839 no município de Barra de São João (que atualmente leva seu nome), levou vida boêmia e morreu tuberculoso em 18 de outubro de 1860, três anos após voltar de Portugal, onde estava a negócios. Sua poesia não foi muito inovadora, sendo considerado mais ingênuo dos românticos. Conhecido como "poeta da infância", fala muito da inocência perdida, como mostra a passagem abaixo. Um dos motivos de sua nostalgia era a intransigência do pai, que o obrigou a se tornar comerciante ao invés de lhe permitir ser poeta.
"Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!"
Fagundes Varela
Luís Nicolau Fagundes Varela (1841-1875) foi um poeta romântico inspirado pelo byronismo. Boêmio, este estudante de direito que nunca conclui o curso perdeu seu filho ainda novo e da esposa o leva mais fundo à boêmia. Casando-se de novo, muda-se para Niterói e falece, alcoólatra e mentalmente desequilibrado. Considerado o menos ingênuo dos românticos, a perda do filho influenciou muito sua obra, sendo o Cântico do Calvário indicação disto. Segue uma passagem.
"Eras na vida a pomba predileta
Que sobre um mar de angústia conduzia
O ramo da esperança. - Eras a estrela
Que entre as névoas do inverno cintilava
Apontando o caminho ao pergueiro."
Castro Alves
Antônio Frederico de Castro Alves nasceu a 14 de março de 1847 na cidade que hoje leva seu nome e morreu tuberculoso a 6 de julho de 1871. Tinha 15 anos quando se matriculou no curso de Direito em Recife, onde iniciou sua carreira poética, escrevendo poesia lírica e social (a social sendo a que mais o consagrou) a favor da abolição da escravatura, sendo por isso chamado de Poeta dos Escravos. Sua poesia lírica era menos idealizada que a de seus contemporâneos românticos, apresentando uma mulher mais sensual menos idealizada. Entusiasmou-se pelo teatro e casou-se com uma atriz chamada Eugênia Câmara, dez anos mais velha, que o abandonou mais tarde. Tempos depois do casamento, atira contra o próprio pé em uma caçada e tem o membro amputado. As caçadas tiveram sua origem justamente como escapatória das constantes brigas que o casal tinha começado a ter quando se mudaram para São Paulo. Mas após este infeliz acidente ainda pôde andar, ainda que com o auxílio de uma bengala e um pé de borracha. Em 1870 publica Espumas Flutuantes na Bahia, sua única obra poética publicada em vida. O que segue é uma passagem de seu célebre Navio Negreiro, parte de sua obra publicada postumamente em Os Escravos.
"Eras um sono dantesco... O tombadilho,
Que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar,
Tinir de ferros... Estalar do açoite...
Legiões de homens negros como a noite
Horrendos a dançar" Os Escravos
Gonçalves de Magalhães
Domingos José Gonçalves de Magalhães (1811-1882) nasceu em Niterói, RJ, e morreu em Roma. Formou-se em Medicina, trouxe e divulgou o Romantismo no Brasil após sua viagem à Europa. Fez poesia religiosa e indianista (estas o últimas o levaram a grande polêmica com José de Alencar). Não era um grande poeta e é considerado um poeta importante apenas pela introdução do Romantismo com seu livro Suspiros poéticos e saudades.
Tobias Barreto
Tobias Barreto de Meneses (1839-1889), além de filósofo, ensaísta, jurista, crítico, polemista, educador e político foi também um dos maiores nomes da poesia social brasileira. Quando estudante, participava de polêmicas célebres com Castro Alves. Brilhante, aos 15 anos ensinava latim. Aos 20 ia tornar-se padre, mas foi expulso do seminário por boemia e indisciplina. No Recife onde morreu foi catedrático da Faculdade de Direito. Seu único livro de versos publicado foi Dias e Noites.
Martins Pena
Luís Carlos Martins Pena (5/11/1815 - 7/12/1848) morreu jovem em Lisboa, tendo escrito no período 28 peças teatrais. Quando jovem, estudou Belas Artes e aprendeu mais sobre o teatro. Mais tarde trabalhou como censor teatral, aprendendo ainda mais sobre sua arte. Apesar de ter escrito sua primeira peça, O Juiz de Paz da Roça, em 1833, ela só foi encenada 5 anos mais tarde, pela trupe de João Caetano, então um dos mais importantes atores brasileiros. Apesar de ter tentado fazer teatro histórico (gênero bem-sucedido no Romantismo europeu), foi como comediógrafo que mais se destacou; entre 1844 e 1846 escreveu 17 peças cômicas, criando o teatro de costumes brasileiro. É comparado por alguns críticos com Manuel Antônio de Almeida, por fazer algo próximo de um Realismo ingênuo. Sua obra mais importante é O Noviço.
"E vós, senhoras, esperai da justiça dos homens o castigo deste malvado (Para Carlos e Emília:) E vós, meus filhos, sede felizes, que eu pedirei para todos (ao público) indulgência!" O Noviço
Bernardo Guimarães
Mineiro, Bernardo Guimarães foi juiz, jornalista e professor. Atuou como juiz em Catalão, onde tomou a polêmica medida de libertar presos que abarrotavam a cadeia municipal. Vivia em um grande desleixo, como atestam pessoas que o visitavam. Como professor também não era competente, tendo sido despedido por sua falta de assiduidade e competência. Ele pretendia, junto com Álvares de Azevedo, instalar a boêmia byroniana em São Paulo. Tornou-se célebre principalmente por sua famosa obra A Escrava Isaura, que foi adaptada para filme, teatro e televisão.
"As linhas do perfil desenhavam-se distintamente entre o ébano da caixa do piano, e as bastas madeixas ainda mais negras do que ele. São tão puras e suaves estas linhas, que fascinam os olhos, enlevam a mente, e paralisam toda análise. A tez é como o marfim do teclado, alva que não deslumbra, embaraçada por uma nuança delicada, que não sabereis dizer se é leve palidez ou cor-de-rosa desmaiada. O colo donoso e do mais puro louvor sustenta com graça inefável o busto maravilhoso. Os cabelos soltos e fortemente ondulados se despenham caracolando pelos ombros em espessos e luzidios rolos, e como franjas negras escondiam completamente o dorso da cadeira, a que se achava recostada." A Escrava Isaura
"Pobre Isaura! - disse Álvaro com a voz comovida, estendendo os braços à cativa. - Chega-te a mim... Eu protestei no fundo de minha alma e por minha honra desafrontar-te do jugo opressor e aviltante, que te esmagava, porque via em ti a pureza de um anjo, e a nobre e altiva resignação de um mártir. Foi uma missão santa, que julgo ter recebido do céu, e que hoje vejo coroada do mais feliz e completo resultado. Deus enfim, por minhas mãos vinga a inocência e a virtude oprimida, e esmaga o algoz." A Escrava Isaura
Manuel Antônio de Almeida
Escritor romântico de transição para o Realismo, Manuel Antônio de Almeida (1831-1861) se formou em Medicina mas era jornalista por excelência. Um de seus empregos antes do jornalismo foi assistente de tipógrafo. Só escreveu uma obra, que foi em vida assinada anonimamente por ele apenas como "Um Brasileiro". Este pseudônimo indicava que ele possivelmente não continuaria a carreira literária. Morreu tragicamente aos 30 anos de idade, no naufrágio do navio Hermes, enquanto fazia campanha para deputação federal. Seguem algumas passagens desta obra, Memórias de um Sargento de Milícias.
"O compadre compreendeu tudo: viu que o Leonardo abandonava o filho, uma vez que a mãe o tinha abandonado, e fez um gesto como quem queria dizer: - Está bom, já agora... Vá; ficaremos com uma carga às costas." Memórias de um Sargento de Milícias
"Passado o tempo indispensável de luto, o Leonardo, em uniforme de Sargento de Milícias, recebeu-se na Sé com Luisinha, assistindo à cerimônia a família em peso." Memórias de um Sargento de Milícias
Joaquim Manuel de Macedo
Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882) nasceu no RJ e formou-se médico. Fundou a revista Guanabara com Gonçalves Dias, foi redator de revista, secretário, orador do Instituto Histórico, político e professor. Amigo do imperador, tornou-se preceptor dos filhos da princesa Isabel. Um dos primeiros românticos, provavelmente o mais puramente romântico de todos na prosa, produziu diversos livros entre os quais os mais célebres são A Moreninha (que escreveu ainda muito jovem, com apenas 20, 21 anos de idade e lhe deu fama imediata), O Moço Loiro e A Luneta Mágica.
"No dia 20 de julho de 18... Na sala parlamentar da casa nº... Da rua de..., sendo testemunhas os estudantes Fabrício e Leopoldo, acordaram Felipe e Augusto, também estudantes, que, se até o dia de 20 de agosto do corrente ano, o segundo acordante tiver amado a uma só mulher durante quinze dias ou mais, será obrigado a escrever um romance em que tal acontecimento confesse; e, no caso contrário, igual pena sofrerá o primeiro acordante. Sala parlamentar, 20 de julho de 18... Salva a redação." A Moreninha
"Achei minha mulher!... Bradava Augusto; encontrei minha mulher!... Encontrei minha mulher!..." A Moreninha
Franklin Távora
João Franklin da Silveira Távora (1842-1888) nasceu no Ceará mas viveu em Pernambuco, onde se formou em Direito, e, a partir de 1874, viveu no Rio e Janeiro. Foi deputado estadual em Pernambuco e funcionário da Secretaria do Império no Rio. Foi além de contista e romancista um grande historiador, e como morreu pobre, o Instituo Histórico e Geográfico Brasileiro do qual fazia parte deu uma pensão a sua viúva e filho. Parte de sua obra de historiografia foi destruída no final de sua vida pelo próprio autor, que sentia-se abandonado e miserável. Franklin Távora criou a "literatura do Norte", como ele mesmo batizou no prefácio de O Cabeleira. Embora tenha atacado José de Alencar no começo da carreira, ele se arrependeu depois. Távora é um romântico pré-naturalista. mantendo poucas características do Romantismo mas não se desvencilhando totalmente deste. Entre as obras que fazem parte desta literatura do Norte destacam-se O Cabeleira e O Matuto.
"Pela sua organização, pelos seus predicados naturais, o Cabeleira não estava destinado a ser o que foi, nós o repetimos. Os maus conselhos e os péssimos exemplos que lhe foram dados pelos desnaturado pai converteram seu coração, acessível em começo, ao bem e ao amor, em um músculo bastardo que só pulsava por fim a paixões condenadas." O Cabeleira
"Morro arrependido de meus erros. Quando caí nos braços da justiça, meu braço era já incapaz de matar, porque eu já tinha entrado no caminho do bem." O Cabeleira
José de Alencar
Escritor, político e advogado, José Martiniano de Alencar nasceu a 1º de maio de 1829 no Ceará e morreu de tuberculose aos 48 anos no Rio de Janeiro, em 12 de dezembro de 1877. Fez curso de Humanidades no RJ e formou-se em Direito em SP, onde foi colega de aula de Álvares de Azevedo e Bernardo Guimarães. Foi ministro da Justiça (1868-1870) e Senador do Império. Um de seus descendentes foi o Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco. É considerado o maior escritor romântico brasileiro, tendo criado obras regionalistas, sociais e indianistas. Neste último estilo, que criou junto com Gonçalves Dias, enquadra-se O Guarani, que inspirou a célebre ópera de Carlos Gomes. Alencar foi também poeta e teatrólogo. Entre seus maiores romances estão O Guarani, Ubirajara, Iracema, Senhora, A Pata da Gazela, Diva, Lucíola, As Minas de Prata, A Viuvinha, Cinco Minutos, Til, O Gaúcho, O Sertanejo, Encarnação, Sonhos d'Ouro e O Tronco do Ipê.
"Aurélia amava mais seu amor, do que seu amante; era mais poeta do que mulher; preferia o ideal ao homem." Senhora
"As cortinas cerraram-se, e as auras da noite, acariciando o seio das flores, cantavam o hino misterioso do santo amor conjugal." Senhora
"Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longo que seu talhe de palmeira.
O favo da jati não era doce como sue sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado." Iracema
"Pousando a criança nos braços paternos, a desventurada mãe desfaleceu, como a jetica, se lhe arrancam o bulbo. O esposo viu então como a dor tinha consumido seu belo corpo; mas formosura ainda morava nela, como o perfume na flor caída do manacá." Iracema
"Poucos homens conheciam como Horácio o coração da mulher; porque bem raros o teriam estudados com tamanha assiduidade. O mais sábio professor ficaria estupefato da lucidez admirável, com que o leão costumava ler nesse caos da paixão, que a anatomia chamou coração de mulher." A Pata da Gazela
" É verdade! Murmurou soltando uma fumaça de charuto. O leão deixou que o cerceassem as garras; foi esmagado pela pata da gazela." A Pata da Gazela
"Podia dar-lhe outra resposta mais breve, e dizer-lhe simplesmente que tudo isto sucedeu porque me atrasei cinco minutos." Cinco Minutos
"Calando-me naquela ocasião, prometi dar-lhe a razão que a senhora exigia; e cumpro o meu propósito mais cedo do que pensava. Trouxe no desejo de agradar-lhe a inspiração; e achei voltando a insônia de recordações que despertara a nossa conversa. Escrevi as páginas que lhe envio, às quais a senhora dará um título e um destino que merecem. É um 'perfil de mulher' apenas esboçado." Lucíola
"Quis pintar-lhe o que vi: a incubação de uma alma violentamente comprimida por uma terrível catástrofe; a vegetação de um corpo vivendo apenas pela força da matéria e do instinto; a revelação súbita da sensibilidade embotada pelos choques violentos que partiram o estame de uma infância feliz; a floração tardia do coração confrangido pelo escárnio e pelo desprezo; finalmente a energia e o vigor do espírito que surgia, soltando por misteriosa coesão os elos partidos da vida moral, e continuando no futuro a adolescência truncada." Lucíola
"Porque nasci para esta vida nova. Oh! Tu não sabes... Depois que reabilitei o nome de meu pai e o meu, ainda me faltava uma condição para voltar ao mundo. [...] A tua felicidade, o teu desejo. Se tivesses esquecido do teu marido para amar-me sem remorso e sem escrúpulo, eu estava resolvido... a fugir-te para sempre!" A Viuvinha
" A Emília, de quem eu te falo, não existiu para ninguém mais senão para mim, em quem ela viveu e morreu. A Emília, que o mundo conhecera e já esqueceu talvez, foi a moça formosa, que atravessou os salões, como a borboleta, atirando às turbas o pó dourado de suas asas. A flor, de que ela buscava o mel, não viçava ali, nem talvez na terra." Diva
" Não sei!... Respondeu-me com indefinível candura. O que sei é que te amo!... Tu não é só o arbítrio supremo de minha alma, és o motor de minha vida, meu pensamento e minha vontade. És tu que deve pensar e querer por mim... Eu?... Eu te pertenço; sou uma cousa tua. Podes conservá-la ou destruí-la; podes fazer dela tua mulher ou tua escrava!... É o teu direito e o meu destino. Só o que tu não podes em mim, é fazer que eu não te ame!..." Diva
Visconde de Taunay
O Visconde Alfredo d'Escragnolle Taunay foi um militar e político, tendo escrito o romance de transição para o Naturalismo Inocência e a obra em francês Retirada de Laguna. Foi também um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras; quando aconteceu a proclamação da República tomou desgosto da política e retirou-se da vida pública.
"À medida que as suspeitas sobre as intenções do inocente Meyer iam tomando vulto exagerado, nascia ilimitada confiança naquele outro homem que lhe era também desconhecido e que a princípio lhe causara tanta prevenção quanto o segundo." Inocência.
"Inocência, coitadinha...
Exatamente neste dia fazia dois anos que o seu gentil corpo fora entregue à terra, no imenso sertão de Santana do Paranaíba para aí dormir o sono da eternidade." Inocência
sobre Literatura Por Algosobre
Os principais pré-modernistas foram:
Euclides da Cunha, com Os Sertões, onde aborda de forma jornalística a Guerra de Canudos; a obra, dividida em três partes (A Terra, O Homem e A Luta), procura retratar um dos maiores conflitos do Brasil. O sertão baiano, onde se deram as lutas, era um ambiente praticamente desconhecido dos grandes centros, e as lutas marcaram a vida nacional: o termo favela, que tornou-se comum depois, designava um arbusto típico da caatinga, e dava nome a um morro em Canudos.
Graça Aranha, com Canaã, retrata a imigração alemã para o Brasil.Nesse livro tinha o constante conflito entre dois imigrantes Milkau e Lentz que discutiam se o dinheiro era mais importante do que o amor.
Lima Barreto, que faz uma crítica da sociedade urbana da época, com Triste Fim de Policarpo Quaresma e Recordações do Escrivão Isaías Caminha; e O Homem Que Sabia Javanês
Monteiro Lobato, com Urupês e Cidades Mortas, retrata o homem simples do campo numa região de decadência econômica; Ele também foi um dos primeiros autores de literatura infantil, desses modos, transmitindo ao público infantil valores morais, conhecimentos do Brasil, tradições, nossa língua. Destáca-se no gênero conto. E foi, também, um dos escritores brasileiros de maiores prestígios.
Valdomiro Silveira, com Os Caboclos, e Simões Lopes Neto, com Lendas do Sul e Contos Gauchescos, precursores do regionalismo, retratam a realidade do sul brasileiro.
Augusto dos Anjos que, segundo alguns autores, trazia elementos pré-modernos.[3], embora no aspecto linguístico tenda para o realismo-naturalismo, em seus Eu e Outras Poesias.
Outros autores:
Figuram como escritores desse período, embora guardem no estilo mais elementos das escolas precedentes, autores como Afonso Arinos, Alcides Maya e Coelho Neto[9]. Este último, ao lado de Afrânio Peixoto, tendia a uma visão da literatura como simples ornato social e cultural. Raul de Leoni pode ser, também, tido como pré-modernista, mas o seu Luz Mediterrânea tende ao Simbolismo.
SERÃO APRESENTADOS PELO TERCEIRO ANO M01:
- GRAÇA ARANHA
- MONTEIRO LOBATO
- EUCLIDES DA CUNHA
- LIMA BARRETO
- AUGUSTO DOS ANJOS
APROVEITEM E CONFIRA O SEMINÁRIO
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Pré-Modernismo
Cronologia
*Momento de transição entre a tradição literária, séc XIX, e sua ruptura radical que inaugura o modernismo, séc XX.
*Início: em meados de 1902 com a publicação de "Os Sertões", de Euclides da Cunha.
*Término: 1922 com a realização da Semana da Arte moderna.
Principais escritores e obras do Pré-Modernismo
*Poesia: -Augusto dos Anjos - "Eu" -1912
*Prosa: -Euclides da Cunha - "Os Sertões" - 1902
-Graça Aranha - "Canaã" - 1902
-Monteiro Lobato - "Urupês" - 1918
-Lima Barreto - "Triste Fim de Policarpo Quaresma" - 1915
Os pré-modernistas preocupavam-se em denunciar a realidade brasileira, apresentando um Barasil não-oficial, dos marginalizados, desde o sertão nordestino até os subúrbios cariocas, passando pelas áreas rurais do Estado de São Paulo.
Apesar do Pré-modernismo não constiutir uma escola literária, por apresentar individualidades muito fortes, com estilos às vezes antagônicos - como é o caso, por exemplo, de Euclides da Cunha e Lima Barreto -, percebem-se alguns pontos comuns às principais obras desse período.
*Denúncia da realidade brasileira, negando-se o Brasil literário herdado do Romantismo e do Parnasianismo.
*Regionalismos: Norte/Nordeste com Euclides da Cunha; vale do paraíba e interior paulista com Monteiro Lobato; Espírito Santo com Graça Aranha; Lima Barreto retratando os subúrbios cariocas.
*Tipos humanos marginalizados: nordestino, sertanejo, caipira, mulatos e funcionários públicos.
*Ligação com fatos políticos, econômicos e sociais: Lima Barreto - governo de Floriano e Revolta da Armada; Euclides da Cunha - "Os Sertões", um retrato da guerra de Canudos; Monteiro Lobato - passagem do café pelo Vale do Paraíba Paulista.
*Ruptura com o passado com caráter inovador em algumas obras.
Vanguardas Européias
Em meio as mudanças que ocorreram durante o séc XIX e que transformaram, em vários aspectos, a sociedade, surgiram movimentos artísticos que questionavam o passado e buscavam novos caminhos. Entre 1907 e 1910, obras e manifestos já anunciavam o que seria a modernidade artística. Surgiram, dessa forma, as vanguardas. (séc XX)
O Cubismo: A valorização do presente.
Na pintura, decompunha os objetos da realidade cotidiana em diferentes planos geométricos para sugerir a sua estrutura gobal, como se fossem vistos de diferentes ângulos. O espanhol Pablo Picasso e o francês Georges Braque podem ser considerados os iniciadores desse movimento.
A literatura cubista valoriza a proposta da vanguarda européia de aproximar ao máximo os vários movimentos artísticos (pintura, música, escultura, etc.), preocupando-se com a construção do texto e ressaltando a importância dos espaços em branco e em preto da folha de papel e da impressão tipográfica. Valorizava também:
subjetivismo;
ilogicidade;
o tempo presente;
a enumeração caótica;
humor;
a construção;
palavras em liberdade;
invenção de palavras;
substantivos soltos, jogados de forma anárquica;
verso livre, negação da estrofe, da rima e da harmonia;
negação dos verbos, adjetivos e pontuação.
O Futurismo: A valorização do futuro.
Movimento lançado pelo poeta italiano Marinetti, em 1909, que propunha a destruição do passado, a exaltação da vida moderna, o culto da máquina e da velocidade, pregando uma arte voltada para o futuro, agressiva e violenta, enaltecendo a guerra, o militarismo e o patriotismo. Preconizava-se também a destruição da sintaxe, com os substantivos dispostos ao acaso, a eliminção da pontuação e a abolição do adjetivo, do advérbio e das conjunções.
O Expressionismo:
O expressionismo moderno já se manifestava em obras de Edvard Munch (O Grito), Gauguin e Van Gogh, floresceu na Alemanha e teve seu melhor momento entre os anos de 1905 e 1920. Esses artistas já manifestavam expressões de medo, angústia, dor e ansiedade por meio do choque provocado pelas cores vibrantes, distorções e exagero de formas. As figuras humanas retratadas pelo expressionismo não tem traços bem definidos, pelo contrário, apresentam rostos e corpos distorcidos, assemelham-se a máscaras, a caricaturas. As cenas traziam aspectos que eram apelos às sensações do observador (que sente frio, calor, cheiros ouve barulhos, etc).
O Dadaísmo:
O movimento dadaísta foi iniciado pelo francês Jean Arp e o romeno Tristan Tzara, em Zurique, na Suíça. No momento, vivia-se a Primeira Guerra Mundial. Daí o caráter anárquico, anti-racional, antiburguês, antiimperialista, ilógico, absurdo e incoerente. Com isso, buscava-se uma antiare, irracional e anárquica. Daí o automatismo psíquico, as livres associações , a invenção de palavras, a exaltação da total liberdade de criação, o sarcasmo, a irreverência e a aproximação com o mundo dos loucos e das crianças.
O Surrealismo: A valorização do passado.
"Surrealismo s.m: Automatismo psíquico puro pelo qual se pretende exprimir, quer verbalmente, quer por escrito, quer por qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento. Ditado do pensamento, na ausência de qualquer controle exercido pela razão, fora de qualquer preocupação estética ou moral."
No período que se seguiu à Primeira Guerra Mundial, surge, em grande parte derivado do Dadaísmo, o último dos grandes movimentos de vanguardas: o surrealismo. O primeiro manifesto aparece em 1924, assinado por André Breton, que havia participado das últimas rodas dadaístas.
Em Salvador Dalí, a influência de Freud é marcante. São temas recorrentes de suas obras: o sexo, a memória, o sono e o sonho.
Em resumo, o surrealismo tinha como características principais:
Busca da emancipação do homem fora do lógico, da razão, da família, da pátria, da moral e da religião.
Conferiam importância ao sonho e à exploração do inconsciente, praticando o automatismo psíquico e a experessão, libertada da censura e sem o controle da razão.
Aproveite e leia sobre o Pré Modernismo no Brasil
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